'A casa da minha vizinha foi destruída e toda a família dela se mudou para a
casa de parentes. Uma mesquita também foi destruída', conta.
'Martírio'
Durante a madrugada deste sábado, o Exército
israelense bombardeou 200 alvos na Faixa de Gaza, inclusive o prédio da sede do
governo do Hamas e o ministério do Interior.
O governo israelense autorizou o recrutamento de 75 mil soldados da reserva,
mais de sete vezes o número que foi recrutado na ofensiva de 2008-9, quando 10
mil reservistas foram recrutados.
Segundo analistas militares, as tropas israelenses estão se preparando para
uma invasão terrestre à Faixa de Gaza.
'Tenho esperança que tudo isso acabe logo', diz Shahin. 'Não é possível que
haja uma invasão terrestre, o mundo não vai deixar que o que aconteceu em 2008
se repita', afirma.
'Há um criador lá em cima que vai tomar conta de nós, não vai permitir que
isso aconteça', diz.
'A gente quer viver, estudar, ter uma vida normal. Eu ainda quero terminar de
decorar o Corão, já decorei a metade. Também ainda quero fazer a peregrinação a
Meca, ainda não peregrinei', comenta.
'Mas se tiver que morrer, vou morrer no martírio, que é uma morte pela causa
divina, e não uma morte à toa, como a morte de um rato ou de uma barata',
observa.
'Dias difíceis'
Do outro lado do conflito, a 14 km de
Gaza, se encontra o brasileiro Leonardo Mandelbaum, de 57 anos.
Mandelbaum, que mora na cidade de Ashkelon, diz à BBC Brasil que os últimos
dias 'têm sido muito difíceis'.
'Já perdi a conta de quantas vezes tive que correr para o abrigo antiaéreo
quando soaram os alarmes, pelo menos 30 vezes, tanto em casa como no trabalho,
tanto de dia como de noite', relata.
Desde o inicio dos confrontos, grupos palestinos - Hamas, Jihad Islâmico,
Comitês de Resistência Popular e facções salafistas - lançaram cerca de 650
foguetes contra cidades israelenses, atingindo principalmente o sul do país.
Ashkelon, que fica perto da Faixa de Gaza, é uma das cidades mais afetadas
pelo clima de tensão.
Os filhos de Mandelbaum moram no norte de Israel, em regiões 'mais seguras' e
ele mora em um apartamento junto com a mulher.
O casal possui o chamado 'espaço protegido' no próprio apartamento. Desde a
Guerra do Golfo, em 1991, a lei em Israel obriga a construção de um quarto
reforçado contra ataques dentro de cada apartamento.
Esses quartos têm paredes mais resistentes e janelas de ferro.
'Terroristas'
Mandelbaum, que se mudou
para Israel há 10 anos, já passou por uma experiência parecida durante a
ofensiva israelense à Faixa de Gaza, de dezembro de 2008 a janeiro de 2009.
'Mas agora o número de foguetes que estão sendo lançados contra nossa cidade
é muito maior', diz.
'Gostaria que houvesse paz, mas infelizmente os terroristas estão querendo
liquidar com o Estado de Israel e não temos com quem negociar', afirma.
'Essa situação faz meu estado de espirito ficar muito ruim. Tudo que quero é
viver em paz', diz.
Para com Mandelbaum, a operação militar de Israel na Faixa de Gaza não vai
'resolver' o problema.
'Mas eles (os grupos armados palestinos) estão cada vez mais armados, agora
já têm até misseis que podem alcançar Tel Aviv e Jerusalém, e de quando em
quando é necessário destruir esse arsenal todo', observa.
'Tudo isso é muito triste, porque morre muita gente inocente, a maioria do
povo (palestino) é gente inocente, que não tem nada a ver com isso', diz.
Até a manhã deste sábado, os já haviam deixado ao menos 39 mortos do lado
palestino e 3 mortos do lado israelense.
Tanto o governo israelense como a liderança do Hamas afirmam que os
confrontos ainda estão 'longe do fim'.
FONTE:BBC Brasil, Via G1
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