Do G1, em Brasília
Após quatro meses de julgamento do processo do mensalão, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve concluir nesta semana as últimas pendências sobre o tema, como pedido de prisão imediata e perda do cargo dos condenados. O tribunal, então, terá pela frente 800 processos que estão prontos para julgamento e aguardam inclusão na pauta do plenário.
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| Plenário do Supremo Tribunal Federal durante julgamento do mensalão, que
começou em 2 de agosto e deve terminar nesta semana (Foto: Carlos Humberto /SCO/
STF )
A proximidade do fim do julgamento do mensalão fica clara com a pauta
preparada para o Supremo na próxima semana. O primeiro processo da fila está na
pauta da sessão ordinária da corte desde 2 de agosto, quando começou a análise
da ação penal 470, número do processo sobre o mensalão. Durante os quatro meses
de julgamento, foram realizadas somente duas sessões extraordinárias para outros
temas.
Na pauta de quarta está um recurso cuja decisão terá repercussão geral -
valerá para todos as ações sobre o mesmo tema -, que envolve o reajuste mensal
no valor do vale-refeição de servidores públicos. Segundo o relator da ação,
ministro Marco Aurélio Mello, cerca de 26 mil recursos semelhantes podem ser
resolvidos com a decisão da corte.
Para quinta (6), estão pautados outros quatro
recursos referentes a matérias penais. Um deles é referente a uma ação penal
contra o ex-deputado federal Natan Donadon (PMDB-RO), já condenado
pelo Supremo a 13 anos de prisão por formação de quadrilha e peculato e que
apresentou recurso. Ele não foi preso porque aguarda o trânsito em julgado da
ação, quando não há mais possibilidade de recorrer.
O ministro Marco Aurélio Mello disse que somente de sua relatoria 180
processos estão prontos para julgamento em plenário. "Recebemos uma média de 100
processos por semana. No plenário, tenho 180 liberados e que exigem o crivo do
plenário. Ao todo, 800 processos estão na fila aguardando deliberação. Vamos ver
se deslanchamos e produzimos pelo tempo parado", afirmou ao
G1.
O também ministro Ricardo Lewandowski destacou ao G1 que
passou o último ano debruçado sobre o processo do mensalão, do qual foi revisor.
Agora, disse que levará "meses" para reorganizar o gabinete e preparar votos
sobre outros temas.
Lewandowski, assim como Marco Aurélio Mello, disse ser contra a realização de
sessões extras para recuperar o tempo dedicado ao mensalão. Em razão do
julgamento, o Supremo realizou nos últimos quatro meses sessões às segundas,
quartas e quintas. A partir desta semana, volta a ter sessões plenárias somente
às quartas e quintas.
"Estamos exaustos. E acho que nós temos que reorganizar os nossos gabinetes
em primeiro lugar. Não adianta fazer sessão sem termos votos preparados. Eu,
como revisor, parei um ano. Só fiquei com isso. Meu gabinete que era um dos com
menor acervo, houve um aumento extraordinário no acervo. Temos quase 50 sessões.
Um semestre parado dando preferência a um processo. Quer dizer, realmente o
trabalho ficou muito prejudicado", destacou Lewandowski.
Segundo o ministro, "vai levar muitos meses" para retomar a rotina normal do
tribunal.
Temas importantes
Vários processos com grande repercussão estão entre os que aguardam julgamento no Supremo.
São ao menos três acões sobre os planos econômicos Cruzado, Bresser, Verão e
Collor I e II. De acordo com cálculos da Federação Brasileira de Bancos
(Febraban), mais de 500 mil ações, entre individuais e coletivas, estão
suspensas pelo país aguardando decisão do Supremo.
As ações pedem o pagamento de diferenças de correção de cadernetas de
poupança.
Há também uma ação que pede a confirmação da legalidade da prática conhecida
como "desaposentação", quando o trabalhador que se aposentou mais jovem pede
para ser aposentado novamente com mais idade com a finalidade de aumentar o
benefício. Para a Previdência Social, a prática é ilegal. Também há repercussão
geral sobre o caso.
O Supremo ainda precisa julgar diversas ações que questionam o recebimento de
pensão por parte de ex-governadores. Há ainda na pauta do plenário um projeto
polêmico sobre o poder de o Ministério Público conduzir investigações penais.
Recentemente, uma comissão da Câmara limitou a atuação do MP, mas a questão pode
ser decidida antes pela corte.
FONTE:G1Para ler mais sobre Julgamento do Mensalão, clique em g1.globo.com/politica/mensalao. Siga também o julgamento no Twitter e por RSS. |









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